A Solidaridad apresenta este relatório para destacar suas operações na América Latina em 2025. Ao concluirmos o quinto e último ano de nossa estratégia plurianual 2021–2025, nosso trabalho manteve-se focado na consolidação de soluções sustentáveis que fazem sentido para as partes interessadas da cadeia produtivas em termos de criação de valor, resiliência climática e inclusão social.
Em 2025, superamos nossas metas de assistência técnica e inclusão financeira, alcançando 93.787 produtores e mineiros com serviços aprimorados e viabilizando linhas de crédito para 3.098 deles. Estamos expandindo modelos de produção que demonstram como a viabilidade econômica caminha lado a lado com a integridade ambiental. Esse trabalho resultou em um total de 871.317 hectares sob manejo sustentável, sendo que 311.884 hectares foram manejados com práticas agrícolas climaticamente inteligentes. Além disso, desenvolvemos diversas ferramentas para facilitar a conformidade com a Regulação da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), transformando desafios complexos em soluções de mercado lucrativas e escaláveis.
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Esperamos que aprecie o relatório e nos colocamos à disposição para fornecer quaisquer informações adicionais.

Uma conquista fundamental neste ano foi demonstrar a viabilidade do manejo pecuário regenerativo no bioma do Chaco. Nossos modelos geraram retornos ambientais e econômicos em uma paisagem marcada pela erosão do solo, por níveis criticamente baixos de carbono orgânico e por uma grave escassez sazonal de água. Esse resultado mostra que, mesmo em ambientes degradados, as práticas regenerativas podem restaurar a saúde do solo sem comprometer a rentabilidade comercial.
Em 2025, 289 produtores receberam apoio por meio desse modelo, alcançando mais de 137.000 hectares em diferentes níveis de regeneração. As amostras coletadas indicam um aumento de 100% na matéria seca do solo, o que pode proporcionar 300 kg adicionais de forragem por hectare e capturar um total de 2,6 tCO2e por hectare ao ano. Essas mudanças, somadas à redução do uso de agroquímicos, também beneficiaram a biodiversidade. Por exemplo, os besouros rola-bosta (atatanca) voltaram à área de intervenção, acelerando a decomposição do esterco e reduzindo a incidência de doenças no rebanho. Além disso, foram avistadas 11 espécies de mamíferos nativos e 79 espécies de aves nas áreas-piloto, entre elas o ameaçado tamanduá-bandeira e o pecari-do-chaco.
A otimização das áreas de pastagem e a garantia de acesso à água durante todo o ano também reduziram significativamente a energia gasta pelo rebanho na busca por locais para beber. Essa melhoria no bem-estar animal levou a um aumento de 18% na taxa de prenhez e de 30% na taxa de desmame. Trata-se de um bom indicador de eficiência, pois as vacas ficam novamente disponíveis para reprodução. Além disso, embora 64% de produtores e produtoras locais tenham acesso apenas a mercados informais, nosso projeto-piloto permitiu que um primeiro grupo de produtores se formalizasse e vendesse seus animais no mercado formal, alcançando preços três vezes maiores. A formalização também possibilita o acesso a coberturas essenciais de saúde e a elegibilidade para apoio financeiro.
Você sabia? Também desenvolvemos iniciativas de pecuária regenerativa com abordagem de paisagem no Chaco paraguaio, em parceria com a Fundação Walmart, e na Amazônia brasileira, em sistemas integrados com cacau, junto ao Fundo JBS pela Amazônia e à Elanco Foundation.
O programa de café climaticamente inteligente remonta a 2014, quando foram realizados os primeiros projetos-piloto com o apoio da Iniciativa Internacional da Noruega para o Clima e as Florestas (NICFI). Trata-se de um modelo integrado baseado no desenvolvimento de sistemas agroflorestais para reduzir o estresse térmico nas plantas de café, proteger os solos contra a erosão e aumentar a resiliência à proliferação de pragas. Hoje, o programa está consolidado na Colômbia, na América Central, no México e no Peru, em parceria com Nestlé, Louis Dreyfus Company (LDC), Matthew Algie, Becamo, Volcafé, Starbucks, ECOM, RGC e diversas cooperativas locais.
No México, em 2025, o Projeto-Piloto de Café Resiliente e Regenerativo com a Nestlé concluiu seu terceiro ano, levando assistência técnica a 2.359 produtores e produtoras. Segundo a ferramenta de avaliação de propriedades da empresa, 70% dos cafeicultores alcançaram pelo menos o nível “avançado” em agricultura regenerativa. Além disso, essas práticas produziram impactos altamente positivos: em Oaxaca, a produtividade aumentou imediatamente 34% em apenas um ano, enquanto os agricultores que participam do programa há três anos em Guerrero apresentam produtividade 55% superior à dos que não fazem parte da iniciativa.
No México, em 2025, o Projeto-Piloto de Café Resiliente e Regenerativo com a Nestlé concluiu seu terceiro ano, levando assistência técnica a 2.359 produtores e produtoras. Segundo a ferramenta de avaliação de propriedades da empresa, 70% dos cafeicultores alcançaram pelo menos o nível “avançado” em agricultura regenerativa. Além disso, essas práticas produziram impactos altamente positivos: em Oaxaca, a produtividade aumentou imediatamente 34% em apenas um ano, enquanto os agricultores que participam do programa há três anos em Guerrero apresentam produtividade 55% superior à dos que não fazem parte da iniciativa.
Assistência Técnica

Uma iniciativa no setor aurífero peruano está demonstrando que a integração da Mineração Artesanal e de Pequena Escala (MAPE) às cadeias formais de abastecimento é estruturalmente transformadora e comercialmente viável. Embora a MAPE represente quase 45% da produção total de ouro do Peru, a grande maioria de sua força de trabalho atua em um limbo jurídico. Para solucionar os frequentes conflitos entre mineradores formais e informais que operam na mesma jazida, a Minera Orex e a Solidaridad desenvolveram um modelo eficiente de coexistência, baseado na colaboração e em benefícios mútuos. Como empresa âncora, a Minera Orex facilita a formalização dos mineradores da MAPE que atuam em suas concessões, enquanto esses mineradores vendem sua matéria-prima à empresa, que hoje responde por 20% do minério processado.
Em 2025, as duas instituições lançaram um seguro sob medida para os mineradores, desenvolvido em parceria com a corretora MN & Asociados. Diante da complexidade das operações de resgate e do impacto financeiro dos acidentes, o seguro oferece uma rede de proteção essencial. Para viabilizá-lo, a Minera Orex aprimorou seus protocolos de segurança e realizou uma campanha de prevenção, reduzindo o risco para as seguradoras e mantendo o prêmio acessível, em US$ 15 por mês. Além disso, a empresa âncora desconta o valor do prêmio diretamente dos pagamentos pelo minério. O produto alcançou cobertura de 100% em toda a concessão, protegendo mais de 400 trabalhadores em 45 minas artesanais.
Parte da due diligence empresarial consiste em verificar se fornecedores e prestadores de serviços garantem condições dignas de trabalho. Nesse sentido, em 2025, o setor de palma de óleo recebeu apoio para fortalecer a regularização de contratos e a implementação de sistemas de segurança e saúde ocupacional nos núcleos de produtores que abastecem grandes compradores. Na Colômbia, em parceria com BASF, Puratos e Cargill, mais de 800 trabalhadores foram formalizados ao fim de três anos, e foram implementados sistemas de gestão de segurança e saúde no trabalho. Isso permite que as famílias tenham acesso à seguridade social, a oportunidades de capacitação e a uma renda mais estável. No México, em parceria com a AAK, 264 pequenos produtores e 23 técnicos de usinas extratoras receberam capacitação em saúde e segurança ocupacional, complementada pela entrega de equipamentos de proteção individual e kits de primeiros socorros. Em Honduras, os esforços se concentraram na avaliação dos padrões de trabalho decente junto a 125 colaboradores do Grupo Jaremar.
No Brasil, no âmbito da Iniciativa de Trabalho Decente do setor sucroenergético, apoiamos a due diligence em direitos humanos por meio da avaliação e do monitoramento do fechamento de lacunas de formalização entre 30 intermediários que fornecem mão de obra rural a produtores e produtoras de cana-de-açúcar. Como resultado, 951 trabalhadores foram beneficiados, dos quais 664 tiveram seus direitos trabalhistas assegurados por meio de auditorias, e os produtores passaram a ter acesso a fornecedores responsáveis. Na cadeia da laranja, o programa “Fruto Resiliente” melhorou as condições de 3.519 trabalhadores temporários e de propriedades rurais ao regularizar os processos de contratação e incorporar práticas de saúde e segurança. Por fim, na produção de erva-mate, o projeto Aliados pelo Campo, realizado com a Coca-Cola Brasil e a Leão Alimentos e Bebidas, fez com que 91% das propriedades participantes adotassem medidas de mitigação de riscos ocupacionais, garantindo boas práticas de contratação e relações de trabalho justas, de acordo com os princípios do trabalho decente.
Em 2025, a aliança global com a Cargill impulsionou a adoção de práticas sustentáveis por meio da combinação de assistência em campo e plataformas digitais. Na Colômbia, o acompanhamento técnico ajudou 363 produtores de palma a elevar seu Índice de Sustentabilidade (IDS) de 51% para 58%. O avanço foi complementado pela capacitação de 1.493 pessoas por meio do AgroLearning. No Paraguai, 58 produtores e produtoras de soja receberam apoio para atender ao Programa 3S – Produção Responsável Verificada por meio de um modelo técnico estruturado, permitindo a gestão de quase 60.000 hectares segundo critérios de sustentabilidade. Além disso, modelos híbridos viabilizaram a capacitação de mais de 254 participantes em temas agrícolas, financeiros e trabalhistas. Na Bolívia, a estratégia concentrou-se na formação de 16 técnicos de associações locais e na capacitação de 318 produtores, além de 112 agricultores certificados remotamente pelos cursos do AgroLearning.
Acesso a financiamento
Em parceria com a Fundação Rabobank, foi implementado na América Central um modelo financeiro inovador para superar os custos iniciais da transição para a agrofloresta sem exigir desembolso em dinheiro pelos produtores. Por meio de um contrato de financiamento, em que os custos são reembolsados com a futura venda de Unidades de Remoção de Carbono (CRUs), 1.882 cafeicultores receberam “pacotes tecnológicos” — incluindo 412.669 mudas e fertilizantes — que abrangeram 4.890 hectares.
Esse apoio financeiro está vinculado à plataforma ACORN, da Rabobank, um mercado voluntário de carbono, e é complementado por um programa híbrido de assistência técnica — presencial e digital, por meio da Carbon Farming Academy e de chatbots — para garantir o sucesso agronômico. A assistência recebida contribuiu para uma taxa de sobrevivência de 93% das plantas. O resultado é excepcional, considerando que, em outros programas regionais, a mortalidade das árvores costuma superar 50% devido às condições do terreno e do clima.
Além disso, parceiros comerciais como a Fundação Altromercato e a empresa dinamarquesa ØNSK — que também adquire CRUs — destinaram recursos ao financiamento direto de insumos, equipamentos e desenvolvimento de capacidades em cooperativas locais.
Em síntese, esse modelo não apenas garante a viabilidade financeira da transição agroflorestal para os produtores, como também fortalece a resiliência climática de seus cafezais no longo prazo e cria uma nova fonte de renda sustentável.
Na Colômbia, o projeto Intel4Value concluiu seu último ano de implementação, mapeando e verificando a origem sustentável das culturas de palma de óleo. Ao conectar os dados das colheitas a plataformas tecnológicas, o projeto gera um histórico produtivo que funciona como garantia de confiança e reduz o risco para instituições financeiras e cooperativas. Em 2025, após avaliar as necessidades financeiras de 1.203 produtores e produtoras de palma, o projeto conectou com sucesso 975 deles a fundos e linhas de financiamento. Outros 341 receberam apoio financeiro do projeto “NI-SCOPS”. O modelo foi construído por meio de alianças estratégicas com instituições como Finagro, SAF e Rabobank.
Além do crédito, os produtores receberam acompanhamento para elaborar planos de ação em sustentabilidade, garantindo que os recursos fossem destinados à transformação sustentável de seus cultivos. Para fortalecer a conexão com mercados responsáveis, o modelo também incorporou um acordo de abastecimento sustentável entre a empresa extratora Oleoflores e a compradora global Cargill. Por fim, para garantir a viabilidade de longo prazo e ampliar o modelo, foi elaborado um estudo sobre o impacto dos investimentos sustentáveis com base em dados primários, estabelecendo fundamentos técnicos para futuras políticas e soluções financeiras no setor.
Colaboração Setorial

Facilitamos o diálogo público-privado para construir acordos e políticas que criem condições e incentivos para a adoção de práticas sustentáveis pelos produtores.
Em 2025, a Regulação da União Europeia para Produtos Livres de Desmatamento (EUDR) atuou como catalisador da colaboração setorial em toda a América Latina. Para além da conformidade com os requisitos de mercado, as respostas nacionais enfrentaram desafios sistêmicos mais amplos, apoiando-se em três pilares: diálogos inclusivos, ferramentas práticas e evidências verificáveis em campo.
Os diálogos setoriais envolveram atores que representam entre 70% e 90% do mercado nacional. Na Bolívia, Peru e Colômbia, partiram de espaços já existentes, como a Mesa de Soja Sustentável — que criou, em 2025, uma Plataforma de Rastreabilidade —, o Acordo Café, Floresta e Clima, na Colômbia, e, no Peru, o Acordo Cacau, Florestas e Diversidade, o Acordo Café e Florestas e o Grupo Impulsionador para uma Palma Sustentável. O caso de Honduras é especialmente relevante: a Solidaridad reativou a Plataforma Nacional de Desmatamento Zero para construir um consenso nacional sobre os “Princípios Orientadores da EUDR”, alinhados ao marco regulatório hondurenho. Também foi facilitado o debate com a Federação de Produtores de Palma de Pequena Escala (FENAPALMAH), que realizou uma análise de lacunas de conformidade para proteger o acesso de seus membros aos mercados internacionais. No Brasil, Paraguai, Uruguai e Argentina, a Solidaridad facilitou o diálogo por meio de parceiros da indústria, como as Mesas Nacionais de Carne Sustentável, instituições da cadeia da soja e o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), que representa mais de 95% das exportações de café do país. Como resultado, foram validados alertas de desmatamento no Brasil, identificadas lacunas nos sistemas de avaliação e elaborados 400 relatórios técnicos de propriedades cafeeiras em 2025 para respaldar os exportadores perante os compradores europeus.
O segundo pilar concentrou-se na criação de ferramentas que potencializam o esforço coletivo, desde mecanismos de verificação da EUDR até análises setoriais especializadas. Entre os principais exemplos estão a análise dos impactos sobre o café para tomadores de decisão na América Central e no México; as perguntas frequentes (FAQ) da Argentina; o guia de implementação para empresas cafeeiras na Colômbia; e o Guia de Recomendações para a Implementação da EUDR na região de Ucayali, no Peru, oficialmente reconhecido como instrumento jurídico pelo governo regional. A Solidaridad também contribuiu para os Sistemas de Informação Geográfica (SIG) com o desenvolvimento de plataformas como AgroDiligence (Colômbia), Geo Cultivate (Peru) e o Protocolo de Pré-Verificação (Honduras), permitindo que os setores avancem para além do simples rastreamento do desmatamento. Algumas dessas ferramentas identificam “falsos positivos”, como o equívoco entre a cobertura arbórea de sistemas agroflorestais e florestas nativas em pequenas propriedades. Isso evita a interpretação incorreta de que café e cacau foram cultivados em áreas desmatadas após 2020, o que excluiria injustamente esses produtores dos mercados europeus.
O terceiro pilar consiste em fornecer evidências de campo e apoio prático aos produtores para demonstrar conformidade com a EUDR. Em 2025, oficinas presenciais e plataformas de aprendizagem digital — como Carbon Academy, AgroLearning e Cultivate — transformaram regulamentações complexas em conhecimento acessível para centenas de agricultores e agricultoras. Na Argentina, por meio da plataforma VISEC, a Solidaridad sistematizou as lições aprendidas em dez embarques-piloto, que totalizaram 331.739 toneladas métricas de soja verificadas como livres de desmatamento, provenientes de cerca de 1.500 estabelecimentos. Esses exercícios demonstram que cadeias de abastecimento livres de desmatamento em escala não são uma ambição futura, mas uma realidade operacional atual.
Em 2025, foi lançada oficialmente a Política Setorial de Equidade de Gênero para o setor de palma na Colômbia. O marco resultou da parceria entre Solidaridad, Fedepalma e GIZ. Para enfrentar e reduzir as lacunas estruturais que afetam as mulheres na prática, a política foi divulgada e implementada em oito núcleos-piloto de produção de palma, que representam 15% de todo o setor no país. Paralelamente, 1.460 mulheres foram alcançadas por soluções educacionais. Esse avanço é considerado decisivo para o setor, pois fortalece sua governança e o alinha aos padrões internacionais cada vez mais rigorosos de direitos humanos, due diligence e sustentabilidade social.
O visualizador de dados web da província de Tucumán — também conhecido como Visor de Florestas — foi lançado oficialmente em 2025, na Argentina, como uma das principais conquistas da aliança global com a Cargill para aprimorar as ferramentas de prevenção do desmatamento ilegal à disposição do setor público. Seu objetivo é garantir o acesso à informação, fortalecer a rastreabilidade do uso da terra e facilitar o monitoramento do cumprimento das normas ambientais vigentes.
Com esse lançamento, Tucumán se une a Salta e Jujuy, formando uma rede de províncias apoiadas pela Solidaridad que já contam com visores públicos para a gestão de suas florestas nativas. No caso de Tucumán e Jujuy, os visores permitem que as autoridades locais monitorem 2.020.780 hectares, dos quais 774.246 hectares correspondem a vegetação nativa e 128.175 hectares a soja em conformidade com a Lei Nacional de Florestas.
A plataforma pública está disponível em http://visorbosques.producciontucuman.gob.ar/
Sem intermediários: gado rastreável da Amazônia brasileira até o frigorífico
O Programa Amazônia no Brasil foi um dos pilares da estratégia para o período 2021–2025. Partindo de um projeto-piloto com 230 participantes em um único município, o programa cresceu para mais de 1.700 participantes em seis municípios, abrangendo 70.000 hectares no estado do Pará. Em termos ambientais, contribuiu para evitar o desmatamento de 839 hectares e conservar 18.800 hectares de floresta nativa, reduzindo em 44% a taxa de desmatamento e em 35% as emissões de gases de efeito estufa. Essas melhorias culminaram no acesso de produtores e produtoras a mercados diferenciados.
Na cadeia do cacau, as práticas agrícolas melhoraram a qualidade das amêndoas, abrindo acesso ao mercado de chocolates premium bean-to-bar e valorizando a origem. Nos últimos cinco anos, as amêndoas do Tuerê e chocolates produzidos com elas conquistaram 37 prêmios nacionais e internacionais, incluindo uma medalha de prata no Salon du Chocolat de Paris. A comercialização também foi facilitada por meio de centrais cooperativas, que consolidam volumes e permitem negociações coletivas, reduzindo a participação de intermediários.
Na pecuária, em 2025, o programa apoiou a criação de um acordo de venda direta com a JBS, promovendo a inclusão comercial de pequenos produtores. Ao reduzir a dependência de intermediários, as famílias passaram a ter acesso a condições de mercado mais transparentes e competitivas. Ao fim do ano, foram movimentados mais de R$ 1,8 milhão, o que representou um aumento de 6% na receita com a venda de gado. Essas melhorias, somadas aos ganhos de produtividade decorrentes da adoção de boas práticas e ao aumento dos preços do cacau, resultaram em um crescimento de 108% da renda familiar bruta média.


Biocarvão
O biocarvão vem se consolidando como uma inovação por transformar resíduos agrícolas — tradicionalmente considerados descarte e fonte de emissões de gases de efeito estufa — em um recurso valioso para a nutrição do solo e a mitigação das mudanças climáticas. Além disso, em um contexto global de forte aumento nos preços dos insumos agrícolas importados, o biocarvão oferece uma alternativa local e acessível aos pequenos produtores.
A Solidaridad está validando e ampliando essa tecnologia na América Central, com resultados muito promissores. Em parceria com a Ritter Sport, foram realizados projetos-piloto com cinco cooperativas de cacau. Os resultados mostraram que, na fase de viveiro, as mudas tratadas com biocarvão apresentaram crescimento muito mais vigoroso e, em plantações adultas, maior retenção de umidade. Em parceria com a Volcafé, 20 técnicos foram capacitados na produção artesanal de biocarvão. O objetivo não é apenas regenerar os solos e reduzir o uso de fertilizantes sintéticos, mas também criar as bases para que os produtores tenham acesso ao mercado de créditos de carbono.
Clique nas imagens para conhecer a história do senhor Toñito e acessar mais informações sobre o nosso projeto.
Finanças
De acordo com os números preliminares de 2025, nossas operações na América Latina geraram 17,2 milhões de euros em receita. Desse total, 8,8 milhões de euros foram contratados diretamente na região. A receita direta superou o orçamento em 15,9%, apesar de uma redução de 8% em relação ao financiamento próprio de 2024. As parcerias corporativas se consolidaram como nossa principal fonte de receita no continente, representando 59% da receita própria. O restante da carteira foi distribuído equitativamente entre organizações sem fins lucrativos (10%), entidades governamentais (27%) e outros (4%).
As despesas operacionais mantiveram-se estreitamente alinhadas com as metas orçamentárias. Os custos com pessoal representaram 47% dos custos totais (contra os 46% previstos no orçamento e os 44% em 2024), o que reflete um investimento estratégico no desenvolvimento de conhecimentos internos. Por outro lado, a dependência de parceiros e consultores diminuiu para 22% (contra 31% em 2024), enquanto os custos diretos das atividades representaram 16%, o que demonstra um compromisso constante com a execução dos projetos.






