A história desta produtora é um retrato das transformações no meio rural brasileiro: sua trajetória mostra que competência e paixão caminham lado a lado na consolidação das mulheres no campo

A trajetória da produtora rural Liane Valentini Machado, de 41 anos, é marcada por raízes no campo e pela força de uma mulher que decidiu honrar o legado da família. No início da década de 1980, seu avô deixou o Rio Grande do Sul em busca de novos horizontes e começou a produzir soja no Maranhão. Poucos anos depois, em 1987, seu pai levou a família para Fortaleza dos Nogueiras (MA), onde Liane e sua irmã, ainda pequenas, cresceram entre fazendas e o contato direto com a terra.
O esforço dos avós e dos pais, que começaram praticamente do zero, moldou sua visão de mundo e se tornou inspiração para seguir no agro.
“A gente aprendeu a gostar da terra. O que me influenciou foi a história de vida dos meus avós. A luta que eles tiveram para conseguir abrir as áreas, a determinação… porque aqui no começo não tinha nada. Eles começaram do zero”, conta Liane, hoje à frente da Fazenda Malhada.
Com dedicação e aprendizado constante, há dois anos ela assumiu a gestão agrícola e passou a participar das decisões estratégicas, seja no planejamento da safra, na administração financeira ou na condução das equipes. O maior obstáculo foi enfrentar o preconceito de gênero: muitos acreditavam que apenas homens poderiam gerir uma fazenda.
Mas Liane mostrou o contrário. Em sua primeira safra, entre 2024 e 2025, alcançou a mesma produtividade dos anos anteriores, quando a liderança estava nas mãos do pai e dos tios. No ciclo seguinte, os resultados foram ainda melhores, consolidando seu protagonismo no campo.

A propriedade rural também se destaca pela adoção de tecnologia e práticas agrícolas sustentáveis. Liane acompanha de perto todas as etapas do processo — do preparo do solo à colheita — e investe em inovação para aumentar a eficiência. Um exemplo é o uso de tratores com sistemas digitais integrados, que permitem monitorar o plantio em tempo real, mesmo quando ela está na sede cuidando dos afazeres administrativos.
Essa modernização se soma ao apoio que a Fundação Solidaridad, em parceria com a BASF, fornece no âmbito do projeto Agricultura para um futuro positivo com a natureza. A iniciativa oferece orientação técnica gratuita, análises de solo e água, além de treinamentos para trabalhadores e trabalhadoras, incentivando práticas de manejo mais resilientes e sustentáveis.
Para a produtora, essa parceria é fundamental para garantir produtividade e, ao mesmo tempo, preservar o Cerrado que cerca a Fazenda Malhada. “O apoio técnico da Solidaridad é muito importante. Ao contrário do que muitas pessoas pensam, o agro não quer destruir, o agro pretende preservar”, reforça ela.

Horizontes da sojicultura
Com olhar voltado para o futuro, Liane acredita que a produção de soja no Brasil é promissora. “A tecnologia e a precisão empregadas no campo hoje são bem maiores. Muitos produtores já aderiram à ideia do biológico e já o consorciam com o químico, uma realidade que vai estar cada vez mais presente na agricultura”, afirma.
Além disso, ela defende políticas públicas que apoiem o setor, com financiamentos acessíveis e juros mais baixos, permitindo que pequenos e médios sojicultores invistam em inovação. Liane ainda destaca que o futuro do agro depende não apenas da força individual, mas também de iniciativas coletivas que unam tecnologia, sustentabilidade e inclusão.
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