{"id":10748,"date":"2018-05-28T22:03:56","date_gmt":"2018-05-29T01:03:56","guid":{"rendered":"https:\/\/brasil.solidaridadlatam.org\/?p=10748"},"modified":"2023-08-14T22:14:53","modified_gmt":"2023-08-15T01:14:53","slug":"tuere-e-o-cacau-producao-familiar-para-reflorestar-a-amazonia-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/solidaridadlatam.org\/brasil\/news\/tuere-e-o-cacau-producao-familiar-para-reflorestar-a-amazonia-2\/","title":{"rendered":"Tuer\u00ea e o cacau: produ\u00e7\u00e3o familiar para reflorestar a Amaz\u00f4nia"},"content":{"rendered":"<div class=\"wpb-content-wrapper\"><p>[vc_row][vc_column][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb el_class=\u00bbintrotext\u00bb]Em um dos maiores assentamentos rurais da Am\u00e9rica Latina, produtores de cacau aprendem a recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa com manejo sustent\u00e1vel[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]A ideia que a maior parte das pessoas faz quando fecha os olhos e pensa na Floresta Amaz\u00f4nica \u00e9 de verde, muito verde. Mata fechada, animais correndo soltos, uma infinidade de rios. Mas a realidade de olhos bem abertos na regi\u00e3o da Rodovia Transamaz\u00f4nica, que foi constru\u00edda na d\u00e9cada de 1970 para cruzar sete estados da Amaz\u00f4nia, \u00e9 completamente diferente: poeira. Muita poeira por todo canto. Isso se der sorte de estar na \u00e9poca da seca. Caso contr\u00e1rio, ser\u00e3o centenas de quil\u00f4metros de vias de acesso irregulares e cheias de barro, pouco transit\u00e1veis. E as \u00e1rvores? Uma ali, outra aqui. Das grandes castanheiras, \u00e1rvore-s\u00edmbolo do Par\u00e1, que chegam a 60 mt de altura e vivem cerca de 1,5 mil anos, sobram poucas na paisagem, que tem grandes pastos e se v\u00ea pouco gado.[\/vc_column_text][vc_single_image image=\u00bb10749&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb add_caption=\u00bbyes\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb parallax_scroll=\u00bbno\u00bb][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Cita: \u201cEu n\u00e3o tenho coragem, e acho que eu n\u00e3o tenho o direito de derrubar uma \u00e1rvore da Amaz\u00f4nia para plantar um p\u00e9 de capim\u201d. Foi esse sentimento que levou o produtor Jos\u00e9 Ant\u00f4nio de Oliveira, o Z\u00e9 Ant\u00f4nio, de 54 anos, que nasceu em Pernambuco, para tentar come\u00e7ar uma nova vida, com ent\u00e3o 42 anos, em Novo Repartimento.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Novo Repartimento \u00e9 o nome de um munic\u00edpio de 560 km no Estado do Par\u00e1, na regi\u00e3o da Rodovia Transamaz\u00f4nica. Surgiu em 1991, depois que a Vila de Repartimento foi alagada para a constru\u00e7\u00e3o da hidrel\u00e9trica de Tucuru\u00ed. Com cerca de 75 mil habitantes, a cidade \u00e9 um retrato da migra\u00e7\u00e3o no Brasil. Pessoas de todos os cantos do pa\u00eds seguiram para o norte, num lugar de floresta para ocupar a terra e construir seus sonhos. Desse movimento migrat\u00f3rio pela ocupa\u00e7\u00e3o da terra, surgiu Tuer\u00ea, um dos maiores assentamentos de pequenos produtores rurais da Am\u00e9rica Latina. Com suas mais de 3 mil fam\u00edlias assentadas, a \u00e1rea ocupada pelo assentamento viu a floresta desaparecer nas \u00faltimas d\u00e9cadas para dar espa\u00e7o para a produ\u00e7\u00e3o extensiva da pecu\u00e1ria. A \u00e1rea m\u00e9dia produtiva de gado na regi\u00e3o \u00e9 de 0,98 cabe\u00e7a de gado por hectare, ou seja, menos de um animal por hectare. Al\u00e9m disso, a explora\u00e7\u00e3o de madeira, mesmo que sendo um crime, continua sem o combate legal necess\u00e1rio. Some-se a isso, longas dist\u00e2ncias, o pouco acesso \u00e0 eletricidade, estradas e internet.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]\u201cEu participei da constru\u00e7\u00e3o de alguma das maiores obras do Brasil. Trabalhei na constru\u00e7\u00e3o de hidrel\u00e9tricas, de plataformas de petr\u00f3leo, de mineradora. Mas essa \u00e9 a minha melhor obra: plantar cacau na Amaz\u00f4nia\u201d, reflete Z\u00e9 Ant\u00f4nio. Ele conta que quando chegou no assentamento para visitar um amigo ficou encantado com a possibilidade de encerrar sua carreira em obras de constru\u00e7\u00e3o civil e viver do campo. \u201cSempre quis plantar. Sempre foi um sonho. J\u00e1 tinha plantado a\u00e7a\u00ed e cupua\u00e7\u00fa, mas nunca tinha vivido do plantio\u201d, completa.[\/vc_column_text][vc_single_image image=\u00bb10750&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb add_caption=\u00bbyes\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb parallax_scroll=\u00bbno\u00bb][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]J\u00e1 para Francisco Pereira da Cruz, 31 anos, Tuer\u00ea \u00e9 seu ber\u00e7o. Seus pais vieram em uma das primeiras levas migrat\u00f3rias para o assentamento e foi ali que Francisco nasceu. Seu pai tamb\u00e9m \u00e9 produtor de cacau.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Cita: \u201cDesde crian\u00e7a fiquei acompanhando meu pai nos trabalhos no campo. E a gente vai criando um certo amor. Quem n\u00e3o tem um plantio como esse aqui de cacau aqui em Novo Repartimento vive de uma maneira muito dificil. E vamos aprendendo a mexer cada vez mais com a produ\u00e7\u00e3o e percebendo que o cacau \u00e9 tudo\u201d, se posiciona.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Para ele, Tuer\u00ea tem ainda grandes desafios, mas diz que no passado, as dificuldades eram ainda maiores. \u201cNo in\u00edcio para os moradores, os assentados, n\u00e3o foi f\u00e1cil. Era muito dif\u00edcil. N\u00e3o tinha acesso nenhum, nenhuma estrada. Para chegar do outro lado (do assentamento), somente atravessando a montanha, subindo e descendo 12 km. Hoje, n\u00e3o temos ainda uma estrada de qualidade, mas temos acesso. O que j\u00e1 passamos aqui foi duro. No come\u00e7o foi muito dif\u00edcil, mas est\u00e1 melhorando e ainda vai ficar melhor\u201d, acredita.\u00a0 Em sua propriedade, onde ainda n\u00e3o chegou a energia el\u00e9trica, ele vive com sua esposa e uma filha de 3 anos. \u201cTenho em torno dos 4 mil p\u00e9s de cacau e 7 reis de gado\u201d, conta Francisco, que produziu cerca de 6 toneladas de cacau na \u00faltima safra.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]<\/p>\n<h2>GANHOS EM ESCALA PARA OS PRODUTORES E PARA A FLORESTA<\/h2>\n<p>[\/vc_column_text][vc_single_image image=\u00bb10751&#8243; img_size=\u00bbfull\u00bb add_caption=\u00bbyes\u00bb alignment=\u00bbcenter\u00bb parallax_scroll=\u00bbno\u00bb][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]O benef\u00edcio econ\u00f4mico seguro \u00e9 um dos argumentos que Z\u00e9 Ant\u00f4nio usa para convencer algum produtor que venha conversar com ele sobre reduzir a \u00e1rea de pastagem e come\u00e7ar a produzir cacau. Ele, que n\u00e3o produz gado, o que \u00e9 pouco comum na regi\u00e3o, diz que o cacau deu tudo que construiu nesses 13 anos vivendo na floresta. \u201cA luz que eu tenho em casa foi o cacau quem colocou, o freezer que eu tenho, a geladeira, a moto do meu filho, tudo foi o cacau\u201d, comemora.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Mas a maior riqueza, segundo ele, \u00e9 a pequena floresta produtiva que plantou em sua propriedade. \u201cHoje estou com cerca de 30 mil p\u00e9s de cacau. E continuo plantando. Tenho um viveiro com 5 mil mudas para plantar\u201d. A t\u00e9cnica de manejo com sombreamento, ou seja, usar \u00e1rvores nativas para sombrear o p\u00e9 de cacau, al\u00e9m de melhorar a produtividade do fruto permite restaurar a \u00e1rea que foi desmatada.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Cita: \u201cJ\u00e1 comi das castanhas de Par\u00e1 que plantei. J\u00e1 plantei umas 200 mudas de castanheira, uns 200 p\u00e9s de ip\u00eas roxo e amarelo. Tudo \u00e9 uma hist\u00f3ria. N\u00e3o tem dinheiro no mundo que pague isso. Ent\u00e3o, plantado por mim mesmo, a cada 16 mts eu tenho um quadro de p\u00e9s de ess\u00eancias florestais. Sem contar aquelas que nasceram por conta pr\u00f3pria e eu l\u00e1 deixei\u201d, celebra.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Francisco, um filho de Tuer\u00ea, diz que sua alegria em produzir na floresta vem da certeza de que \u00e9 poss\u00edvel recuperar e manter o equil\u00edbrio para garantir o futuro das fam\u00edlias locais.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Cita: \u201cO campo e a floresta para mim se tornam iguais. Depende do momento, se voc\u00ea souber respeitar o tempo da natureza, do manejo e souber trabalhar dentro das regras legais\u201d, acredita. Segundo ele, a assist\u00eancia t\u00e9cnica que faz parte do programa \u00e9 essencial nesse processo de equil\u00edbrio, pois permite aumentar a produtividade sem ampliar a \u00e1rea. \u201cEm uma pequena \u00e1rea de terra d\u00e1 para fazer grandes investimentos s\u00f3 no manejo do cacau\u201d.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Como sonho, Z\u00e9 Ant\u00f4nio diz que espera continuar plantando e que sua propriedade possa permanecer como um bosque produtivo. \u201cQue meu filho Pedro, que tem 3 anos hoje, quando tiver 53 anos, possa estar vivendo aqui, com sua pr\u00f3pria fam\u00edlia, vivendo disso aqui\u201d. E finaliza:[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Cita: \u201cOlha, cada dia eu fico mais animado.Tem hora que estou meio estressado e dou uma volta no plantio, olho para as \u00e1rvores de cacau, olho para aquela planta que eu plantei um dia desse e vejo um fruto&#8230; \u00c9 como voc\u00ea ter uma criancinha e depois aquela crian\u00e7a \u00e9 um homem ou uma mulher formada. Qual \u00e9 o pai que n\u00e3o fica alegre com uma coisa dessas?\u201d, se emociona o produtor. Em 2017, nasceu sua filhinha, Ana Elisa.[\/vc_column_text][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb]Z\u00e9 Ant\u00f4nio e Francisco s\u00e3o produtores que fazem parte do programa de Cacau e Pecu\u00e1ria, no \u00e2mbito da iniciativa\u00a0<a href=\"https:\/\/www.solidaridadlatam.org\/es\/news\/fortalecer-investimentos-estrat%C3%A9gicos-na-amaz%C3%B4nia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u00abTerrit\u00f3rios Inclusivos e Sustent\u00e1veis\u00bb<\/a>, que, desde 2016, promove o desenvolvimento de uma agricultura de baixo carbono no contexto da agricultura familiar na Amaz\u00f4nia.[\/vc_column_text][\/vc_column][\/vc_row]<\/p>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[vc_row][vc_column][vc_column_text text_larger=\u00bbno\u00bb el_class=\u00bbintrotext\u00bb]Em um dos maiores assentamentos rurais da Am\u00e9rica Latina, produtores de cacau aprendem a recuperar a vegeta\u00e7\u00e3o nativa<\/p>\n","protected":false},"author":4,"featured_media":10749,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[94],"tags":[],"paises":[],"programa":[],"tema":[],"formato":[],"class_list":["post-10748","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-news"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v25.4 - 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